Contrato de desempenho energético no Pestana Viking
Toda a água quente feita com o calor recuperado do chiller e as caldeiras paradas no verão: o contrato de desempenho energético da Âmago no Pestana Viking.
Em serviço desde fevereiro de 2017
O contrato de desempenho energético que a Âmago ganhou num concurso nacional promovido pelo Fundo de Apoio à Inovação e pela ADENE entrou em fase de serviço em fevereiro de 2017.
Depois de um primeiro período de ensaios, afinações e melhoramentos, conseguimos um grande objetivo: produzir toda a água quente sanitária do hotel apenas com a recuperação de calor do chiller e uma pequena bomba de calor auxiliar.
A caldeira de apoio não trabalha há várias semanas, no verão. Isto sim é eficiência energética: um calor que normalmente se desperdiça está a ser aproveitado para produzir água quente sanitária de forma praticamente gratuita.
O projeto
O contrato de desempenho energético que a Âmago — Energia Inteligente implementou no Pestana Viking Hotel, na Praia da Senhora da Rocha (Alporchinhos, Lagoa), teve financiamento do FAI — Fundo de Apoio à Inovação.
O Hotel Viking reunia condições particularmente vantajosas para reduzir os custos de energia. É um edifício dos anos 70, remodelado ao longo dos anos, mas que mantinha a maioria dos sistemas de climatização originais.
Tem características construtivas e sistemas que o tornam muito especial. A construção é toda do tipo túnel, ou seja, inteiramente em betão: não há tijolos, apenas betão e vidro, o que o torna termicamente pouco eficiente e muito dependente de climatização ativa para manter o conforto dos clientes.
O arrefecimento era feito por um chiller só de frio, água-água, com torre de arrefecimento, ainda original. Duas caldeiras a gasóleo produziam todo o aquecimento ambiente no inverno e toda a água quente sanitária (AQS) durante o ano — e o gasóleo de aquecimento está quase ao preço do gasóleo rodoviário, o que o torna uma energia cara.
A Âmago concebeu e propôs o contrato de desempenho energético com base nos pressupostos do Aviso 01/2013 do Fundo de Apoio à Inovação.
Foi feita uma auditoria energética profunda, no âmbito do certificado energético obrigatório para esta candidatura, e a simulação térmica detalhada do edifício. A resposta dos futuros equipamentos de climatização foi estudada ao pormenor, calculando o EER (Energy Efficiency Ratio) e o COP (Coefficient of Performance) de vários chillers reversíveis para todas as horas do ano, tendo em conta a carga térmica necessária em cada hora e a temperatura exterior média dessa hora. Este estudo permitiu calcular uma espécie de SEER (EER sazonal) e de SCOP (COP sazonal) específicos deste edifício, para cada chiller analisado.
O edifício consumia cerca de 2500 MWh por ano, dos quais o AVAC (aquecimento, ventilação e ar condicionado), incluindo a AQS, representava cerca de 42% e a iluminação cerca de 26%.
A análise do esquema de princípio e da instalação existente mostrou uma instalação antiga e obsoleta face às novas tecnologias e às novas formas de ligar os equipamentos. Perceber como a instalação funcionava — ouvindo a equipa de manutenção sobre a forma como a operava, e os problemas e as queixas da cozinha, do restaurante, da receção, dos quartos e das piscinas — foi fundamental para conhecermos o estado atual e pensarmos o futuro.
As medidas de melhoria
Com quase uma tela em branco, foi dada liberdade à criatividade da nossa engenharia para obter o edifício mais eficiente possível a partir deste diamante em bruto. Foram simuladas muitas opções, algumas fora do habitual nos sistemas AVAC — aqui era preciso pensar «fora da caixa» —, até chegarmos às principais medidas de melhoria:
- A grande revolução: a alteração do esquema de princípio de todo o sistema central. Passou a haver um chiller com velocidade variável no primário, recuperação de calor parcial a temperatura elevada, produção de calor em contracorrente com o consumo de AQS e uma bomba de calor auxiliar.
- Um chiller reversível, que faz toda a produção de arrefecimento, de aquecimento e a maior parte da água quente sanitária. A escolha recaiu sobre o que tinha os melhores valores de EER e COP no Eurovent e no nosso estudo, e que conseguia atingir os valores de recuperação de calor pretendidos: o BLUEBOX TETRIS HP 2 A 34.4.
- Uma bomba de calor de 15 kW térmicos para recuperar o calor dos condensadores frigoríficos.
- Uma gestão técnica centralizada (GTC) ITELMATIS, concebida em parceria com a Âmago — a única forma de conduzir toda a instalação de forma automática e obter os melhores resultados —, com o controlo de toda a central térmica e das UTA.
- A revisão de todos os equipamentos consumidores de energia ligados ao AVAC, às piscinas e à cozinha, quanto ao controlo e à operação diária, para melhorar comportamentos que gastavam energia, com recomissionamento em alguns casos.
- Válvulas de regulação dinâmica de caudal constante para as UTA e para os ventiloconvectores dos quartos, combinadas com bombas de circulação de velocidade variável.
- O isolamento térmico de toda a rede de distribuição de água quente sanitária e da central térmica.
- Um sistema de desinfeção da água quente por dióxido de cloro, para evitar os choques térmicos frequentes e poder baixar a temperatura de distribuição da AQS.
- A redução da potência contratada e da potência em horas de ponta, com uma descida apreciável destes custos parasitas.

O chiller BlueBox.
Este investimento permitiu obter em julho e agosto de 2016, ainda numa fase de ensaios e afinações, uma poupança face à baseline superior a 200 000 kWh por mês — 68% no gasóleo e 41% na eletricidade —, tornando o projeto extremamente interessante e exemplar para o Grupo Pestana e para a Âmago.
Manter os custos baixos
Reduzir os custos com investimentos é fácil, comparado com mantê-los baixos e fazê-los descer ao longo do tempo.
Para isso é preciso aprender a conduzir a instalação central e estar sempre focado no objetivo: reduzir os custos e a dependência do petróleo. A Âmago fá-lo com um engenheiro a analisar em permanência o comportamento da instalação, a evolução e a previsão do tempo — para escolher as melhores opções para o dia seguinte — e os consumos de energia, em conjunto com os dados enviados pela GTC e com os alertas e alarmes automáticos que detetam cedo anomalias e ineficiências.

A gestão técnica centralizada implementada.
É a combinação dos sistemas automáticos de GTC e de gestão integrada de energia com a experiência dos nossos engenheiros — atentos tanto a soluções micro, ao nível de um equipamento ou do seu controlo, como a soluções macro, ao nível de todo o edifício — que permite chegar aos melhores resultados e continuar a diagnosticar e a implementar melhorias durante a vida do contrato, tornando-o parte ativa do programa de sustentabilidade do Grupo Pestana.
O financiamento
Ganhar o concurso do FAI foi muito importante: significou o financiamento de 70% do investimento necessário, sendo o restante coberto com capitais próprios. É um financiamento sem juros, com um ano de carência e três anos para devolver o montante.
Este método reduz bastante os custos e resolve aquele que é normalmente o maior obstáculo aos contratos de desempenho energético: o financiamento. Esperamos que este caso de sucesso possa servir de exemplo aos futuros mecanismos de garantia europeus e do Estado português. Ao reduzir o risco percebido pelas entidades financeiras, o custo do dinheiro baixa, os investimentos ficam mais baratos e ficamos todos a ganhar, a começar por Portugal, que reduz as importações de combustíveis fósseis.
A Âmago continua empenhada em reduzir os custos energéticos nos edifícios e na indústria, e está a promover mais contratos de desempenho energético: é a forma mais segura de o cliente obter reduções nos custos de energia e de água.
O projeto foi apresentado na revista Edifícios e Energia n.º 107, de setembro/outubro de 2016.